MONTAGEM DAS CÂMARAS ESPIRAIS DE GOUVÃES E DAIVÕES: UM DESAFIO SUPERADO

3 de Abril de 2019

Na construção de um aproveitamento hidroelétrico, é preciso que todas as peças encaixem, literalmente. Muitas vezes, falamos de elementos de grandes dimensões, colocados em locais nem sempre fáceis. Por isso, transportá-los e montá-los faz parte do desafio da construção e é dele que vos falamos.

No Sistema Eletroprodutor do Tâmega, o maior investimento que a Iberdrola está a fazer em Portugal, segue a bom ritmo a montagem de alguns destes grandes elementos: as turbinas de dois dos três aproveitamentos hidroelétricos deste projeto – Gouvães e Daivões.

A central hidroelétrica de Gouvães é subterrânea e está equipada com quatro grupos geradores reversíveis, com uma potência total de 880 MW.

A montagem dos quatro grupos está a ser feita de maneira escalonada, para otimizar a utilização de equipas e meios. Um marco importante desta operação é a montagem da câmara espiral, que é a conduta metálica que distribui uniformemente a água da conduta forçada à turbina.

A queda estática nominal do aproveitamento de Gouvães é de 657 metros. Isto implica uma pressão muito elevada na câmara espiral e, portanto, grandes espessuras de aço. Por isso, convém transportar este elemento no menor número de peças possível e realizar as soldaduras nas condições mais favoráveis em oficina.

A câmara espiral é um dos maiores elementos a transportar e montar em Gouvães, o que comporta um grande desafio. A primeira câmara espiral, correspondente ao Grupo IV, foi descida até ao seu local definitivo no dia 7 de janeiro. A que corresponde ao Grupo II, no dia 30 de janeiro. Seguidamente, foi montada a câmara que corresponde ao Grupo III, no dia 19 de março. A última, do Grupo I, está prevista para o dia 9 de abril.

Nas fotografias podem ver-se vários momentos: a chegada da câmara espiral do Grupo III à central e toda a manobra de descida até ao seu local definitivo.

Por sua vez, a central hidroelétrica de Daivões está localizada no pé da barragem e está equipada com dois grupos de 57 MW e um pequeno grupo de 4 MW para turbinar o caudal ecológico.

Em relação aos dois grupos principais, apesar de a potência ser menor, o caudal turbinado é maior e, portanto, a dimensão das câmaras espirais é bastante maior do que em Gouvães, pelo que tiveram de ser transportadas em várias partes. Para além disso, no caso de Daivões, as pressões e, por consequência, a espessura do aço são menores. Neste caso, os antedistribuidores das duas câmaras espirais foram descidos até ao seu local no mesmo dia: 12 de fevereiro de 2019.

Dados técnicos:

Câmaras espirais de Gouvães:

  • Peso: 76 ton
  • Dimensões: 9,7 x 7,7 x 2,8 m (comprimento x largura x altura)
  • Dimensão da maior peça transportada: Peça única
  • Caudal: 4 x 37,7 m3/s (cada grupo a 100%)
  • Velocidade dos geradores: 600 rpm

Câmaras espirais de Daviões:

  • Peso: 32 ton
  • Dimensões: 12 m x 4 (Øext x hmax)
  • Dimensão da maior peça transportada (antedistribuidor): 7 x 6 x 2,5 m
  • Caudal: 2 x 110 m3/s
  • Velocidade dos geradores: 187,5 rpm